Valquírias: As Escolhedoras da Morte e o Frio Destino dos Guerreiros

Antes que o grito final ecoe no campo de batalha, antes que o sangue toque a terra gelada, elas já estão lá. Invisíveis aos olhos dos vivos, silenciosas como o destino, as valquírias observam. Não vêm para salvar. Não vêm para consolar. Elas vêm para escolher.

Na mitologia nórdica, as valquírias são frequentemente descritas como belas guerreiras celestiais, mas essa imagem é apenas uma camada superficial, criada para tornar suportável uma verdade muito mais cruel. As valquírias não são símbolos de glória; são instrumentos do fim. Onde elas passam, a morte já foi decidida.

As lendas mais antigas dizem que as valquírias surgiram quando Odin percebeu que nem todos os guerreiros mereciam morrer da mesma forma. Alguns precisavam ser preservados, não para a vida, mas para algo pior. Algo maior. Algo que exigiria corpos já familiarizados com a dor.

Assim, as valquírias foram criadas para colher os mortos dignos, arrancando-os do caos da batalha e levando-os para Valhalla, onde seriam preparados para lutar novamente no Ragnarök. Mas o que raramente é dito é que essa escolha não era um prêmio. Era uma condenação disfarçada de honra.

Quando as valquírias descem dos céus, o mundo muda. O ar se torna pesado, os sons se distorcem. Muitos guerreiros relataram sentir uma presença gelada segundos antes de serem atingidos fatalmente. Alguns afirmaram ter visto figuras femininas de armaduras manchadas de sangue, com olhos vazios, observando-os sem emoção.

Esses relatos não falam de misericórdia. Falam de avaliação.

As valquírias não escolhem os mais fortes, nem os mais justos. Elas escolhem aqueles cujo espírito é compatível com a guerra eterna. Aqueles que não questionam ordens, que não hesitam diante da morte, que não sentem remorso suficiente para enfraquecer o aço.

O campo de batalha é apenas o primeiro teste.

Os guerreiros escolhidos são arrancados do mundo dos vivos no instante da morte. Não há despedida. Não há passagem suave. A alma é puxada com violência, como algo que não pertence mais àquele corpo. Muitos relatos afirmam que o momento da escolha é acompanhado por uma dor impossível de descrever — como se o próprio destino estivesse sendo rasgado.

Enquanto isso, os que não são escolhidos simplesmente desaparecem. Suas almas seguem para Hel, para o esquecimento ou para algo ainda mais obscuro. Não há consolo para eles. Apenas silêncio.

As valquírias conduzem os escolhidos por caminhos que não existem no mundo físico. Trilhas suspensas entre céus cinzentos e abismos sem fundo. Durante essa travessia, os mortos começam a compreender que não foram salvos. Foram recrutados.

Valhalla não é um paraíso. É um campo de treinamento eterno. Todos os dias, os guerreiros lutam entre si até a morte. Todas as noites, são ressuscitados para repetir o ciclo. Não há descanso verdadeiro. Não há fuga. Apenas preparação.

As valquírias supervisionam tudo.

Elas observam cada combate, cada falha, cada hesitação. Aqueles que demonstram medo excessivo ou dúvida são tratados com frieza absoluta. Há histórias de guerreiros que desapareceram de Valhalla, não porque morreram, mas porque falharam em se adequar. O destino deles nunca é explicado.

O papel das valquírias não termina na coleta. Elas também influenciam o desenrolar das batalhas entre os vivos. Um golpe que erra, uma lâmina que escorrega, uma flecha que encontra o coração, tudo isso pode ser resultado de uma decisão silenciosa tomada nos céus.

Alguns guerreiros tentavam atrair a atenção das valquírias, lutando de forma mais brutal, mais imprudente. Muitos morriam em vão. Outros eram escolhidos, e descobriam tarde demais o preço dessa honra.

Há versões menos conhecidas do mito que descrevem as valquírias como entidades mais antigas que Odin. Nelas, Odin não as criou, apenas as utilizou. Essas histórias sugerem que as valquírias representam uma força inevitável: a seleção natural da violência.

Elas não sentem prazer, mas também não sentem culpa. A morte é apenas um processo. A guerra, apenas um estado permanente. Aos olhos das valquírias, a humanidade é matéria-prima.

Durante o Ragnarök, as valquírias não apenas conduzem os guerreiros para a batalha final. Elas também participam. Não como heroínas, mas como executoras. Aqueles que falham nesse último confronto não recebem segunda chance. A morte final é definitiva.

O terror das valquírias está em sua neutralidade. Elas não odeiam, não amam, não julgam. Apenas cumprem. Isso as torna mais assustadoras do que qualquer monstro sedento por sangue.

Mesmo hoje, longe dos campos de batalha antigos, o mito persiste. Em acidentes inexplicáveis, em mortes súbitas durante conflitos modernos, há quem sussurre que alguém foi escolhido. Não para viver. Mas para servir a algo que nunca termina.

Se as valquírias ainda existem (e talvez existam) elas continuam observando. Avaliando. Esperando o próximo guerreiro que morrerá acreditando ter conquistado a glória, sem perceber que apenas foi convocado.

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